8.6.12

CP agrava prejuízo para 289 milhões de euros em 2011

Transportes

A CP fechou um ano de 2011 com um prejuízo de 289 milhões de euros, um agravamento face ao resultado líquido negativo de de 201 milhões de euros registado no ano anterior, segundo o relatório e contas da empresa.
"No exercício de 2011, a contabilidade da CP registou o expressivo prejuízo de 289 milhões de euros. É uma perda que incorpora imparidades, variações de justo valor, perdas em participadas e custos financeiros de 227 milhões de euros, o que, só por si, explica a variação de resultados face ao exercício de 2010", explica o presidente da CP, José Benoliel, no documento, a que a agência Lusa teve acesso.
A CP refere que, não considerando as provisões, as imparidades, as variações de justo valor dos derivados e as participadas, fechou o exercício de 2011 com um resultado operacional negativo de 62 milhões de euros, "o que representa uma melhoria de cerca de 26 milhões de euros" em relação ao ano anterior.
A empresa pública ferroviária registou um EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 39 milhões de euros no ano passado, melhor em 26 milhões de euros em relação a 2010.
O presidente da CP refere que os resultados obtidos ao nível da contenção de gastos operacionais "são francamente animadores e, caso não se embaracem as medidas preconizadas pela administração, permitem alimentar a expetativa de, já em 2012, o grupo CP conseguir atingir um resultado de exploração praticamente equilibrado e um EBITDA próximo dos 60 milhões de euros".
Em 2011, o número de passageiros transportados no comboios da CP baixou 5,8 por cento, situando-se nos 126 milhões.
"Certamente a redução da atividade económica estará na base desta menor procura por deslocações, mas a concorrência de outros modos de transporte também explica, em parte, este comportamento", refere a CP.
Além da conjuntura económica "difícil", prossegue a empresa, "as greves tiveram um impacto significativo na redução da procura, quer nos dias em que ocorreram, quer na medida em que, eventualmente, contribuíram para a transferência de clientes do modo ferroviário para outros modos de transporte alternativos. Por outro lado, os fortes aumentos tarifários ocorridos no ano, de cinco por cento em janeiro e de 15 por cento em agosto, terão provocado uma retração imediata da procura".
No final de 2011, a CP tinha 2.978 trabalhadores, menos 263 do que em 2010. A empresa salienta que 200 trabalhores deixaram a empresa em 2011 através de revogação do contrato de trabalho por mútuo acordo.
No relatório e contas, José Benoliel salienta também o facto de o ano de 2011 ter sido "profundamente afetado por uma conflitualidade laboral exacerbada no contexto da crise económica, social e financeira em que o país mergulhou", numa referência às greves cumpridas pelos trabalhadores.

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2596453&page=-1