5.6.12

Crise adia idas ao mecânico e provoca quebras de 10% em algumas oficinas

Economia


As reparações automóveis são cada vez mais adiadas até ao limite, com algumas marcas a registarem quebras de 10% na procura das oficinas oficiais, e cada vez mais carros a chegar de reboque aos mecânicos.

As informações que marcas e cadeias de reparação automóvel avançaram à agência Lusa apontam para dificuldades crescentes de particulares e empresas para assegurarem e pagarem a reparação dos seus veículos.
"Há falta de liquidez ou disponibilidade de dinheiro para pagar os serviços que são necessários. Tudo é adiado até ao limite. De um modo geral existe um adiar das intervenções, e é feito um mínimo indispensável, procurando apenas que o carro ande", disse à Lusa Raquel Marinho, responsável do marketing da cadeia de oficinas Bosch Car Service.
Do lado das marcas automóveis, a Citroën, por exemplo, referiu que, no primeiro trimestre registou uma quebra de cerca de 10% na procura de serviços nas suas oficinas oficiais em comparação com o período homólogo de 2011.
A quebra regista-se sobretudo entre aqueles que fogem ao "essencial", ou seja, aos serviços básicos, o que tem reflexos na faturação da Citroën, mas que a marca tenta contornar com algumas campanhas promocionais.
Também a germânica Opel assinalou, sobretudo no último ano, uma "redução apreciável" na afluência de clientes às oficinais oficiais da marca, e, consequentemente, no volume de reparações realizadas, não tendo, no entanto, dados que quantifiquem a quebra.
A Bosch Car Service adiantou à Lusa que está a aumentar o número de carros que chegam de reboque às suas oficinas, "o que confirma que os carros são levados até ao limite", de acordo com Raquel Marinho.
A responsável adiantou também que particulares e empresas procuram cada vez mais adiar ou dilatar os prazos de pagamentos.
Entre os particulares a estratégia mais habitual é ir buscar o carro à oficina apenas no final ou início do mês, quando existe uma maior disponibilidade financeira, muitas vezes muitos dias depois de as oficinas terem concluído as reparações contratadas.
Já os clientes empresariais destas oficinas tentam dilatar o pagamento das reparações, fracionando-o ou estendo os prazos, o que já levou à rescisão de alguns contratos de manutenção para frotas empresariais, uma vez que a Bosch Car Service se recusa a facilitar os pagamentos.
Também a concorrente Midas admitiu quebras em serviços de manutenção, "com algumas pessoas a fazerem mais uns quilómetros antes de mudarem o óleo do carro", mas de uma maneira geral esta cadeia de oficinas não registou quebras significativas na procura dos seus serviços, "apenas o normal, atendendo à conjuntura económica", referiu à Lusa um responsável do departamento de marketing da empresa.
Isto porque, segundo a mesma fonte, existe uma consciência por parte dos clientes de que adiar as reparações implica, muitas vezes, reparações mais caras.
O serviço onde nenhuma destas duas cadeias de oficinas sentiu qualquer quebra na procura foi o das inspeções periódicas gratuitas.
Esta segunda-feira, o 'Diário de Notícias' dá conta de uma média de 180 multas por dia por falta de inspeção periódica obrigatória no primeiro trimestre do ano, com 16533 condutores multados até abril.
O presidente da ANECRA (Associação Nacional de Empresas de Comércio e Reparação Automóvel) confirmou que "há uma baixa na área das reparações" e que "as pessoas estão a poupar também na manutenção das viaturas".

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=2585079&page=1