4.6.12

Desemprego continuou a subir em Abril, sobretudo entre os jovens

Eurostat divulga taxa de 15,2%
  
A taxa oficial de desemprego em Portugal deverá ter subido para 15,2% em Abril, anunciou esta sexta-feira o Eurostat, que reviu em baixa os valores mensais que já tinha divulgado para o primeiro trimestre.
O desemprego jovem também continua a subir, e mais intensamente, tendo passado de 35,9% em Março (valor também revisto) para 36,6% em Abril, segundo a autoridade estatística europeia. Subiu também mais entre as mulheres do que entre os homens, que terão ficado com taxas de respectivamente 15,5 e 15,0%.

O Eurostat regista uma tendência de forte subida do desemprego no país há pelo menos um ano, e o valor hoje conhecido fica acima do dado mais recente do INE, que só divulga dados trimestrais: 14,9% entre Janeiro e Março.

Na sequência deste valor, divulgado pelo INE em meados do mês passado, os valores do Eurostat de Janeiro a Março passaram respectivamente de 14,8%, 15,0% e 15,3% (divulgados há um mês), para 14,7%, 14,8% e 15,1%.

O nível de desemprego em Portugal em Abril foi o terceiro maior da zona euro e da UE (onde foi igual ao da Letónia), atrás da Espanha e da Grécia, que registaram taxas de 24,3% e 21,7% (neste caso, em Fevereiro), respectivamente.

No conjunto da zona euro, o desemprego manteve-se inalterado em Abril, em 11%, na sequência da revisão em alta de uma décima em Março (bem como em Fevereiro, para 10,9%) – o que representa cerca de 17,4 milhões de pessoas sem trabalho e uma nova taxa recorde.

Os critérios oficiais europeus de contabilização dos desempregados são no entanto restritivos, devendo os números reais ser bastante mais elevados. No caso dos dados do INE, o número de desempregados não abrange pessoas que não procuraram emprego nas últimas três semanas antes de serem inquiridas nem os biscateiros (que trabalham poucas horas). Se fossem considerados, a taxa em Portugal no primeiro trimestre aproximava-se já bastante de 20%, afectando claramente mais de um milhão de pessoas.

Os dados do Eurostat diferem dos do INE, que é quem fornece a informação de base, porque são calibrados também com informação do IEFP. Além disso, enquanto o INE calcula apenas taxas trimestrais o Eurostat avança com valores mês a mês – que são por isso frequentemente sujeitos a revisão em função dos dados que o INE depois divulga, pois é quem faz a recolha directa da informação.

A subida do desemprego em Portugal está prevista pelo Governo e pelas instituições que fazem previsões e é de esperar que vá batendo sucessivos recordes pelo menos durante este ano.