Crise das dívidas
O momento é crítico para a zona euro e as próximas semanas são decisivas para o futuro da moeda única, que depende agora de Itália e de Espanha. É esta a leitura que o ministro espanhol das Finanças, Luis de Guindos, fez esta quinta-feira do que está em jogo na eurolândia.
As taxas de juro da dívida espanhola mantêm-se em níveis considerados insustentáveis a prazo. A evolução do sector financeiro levanta dúvidas aos analistas sobre a capacidade de Espanha resistir a um pedido de assistência externa. A crise de confiança dos mercados que se agudizou nos últimos dias levou hoje responsáveis europeus e internacionais a referirem-se à situação espanhola. E a pedirem um momento clarificador para a Europa.
No dia em que o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, pediu aos líderes para clarificarem a sua visão do que será a zona euro dentro de alguns anos, o responsável pelas Finanças de Espanha veio dizer que o futuro da moeda única se joga “nas próximas semanas em Itália e Espanha”.
A chanceler alemã, Angela Merkel, que, segundo refere o El País, conversou ao telefone com o Presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, referiu-se à situação da banca espanhola, precisamente no dia em que o Parlamento de Madrid aprovou a reforma do sistema financeiro e teve populares e oposição a discutirem as responsabilidades da crise no Bankia, o quarto maior banco nacional, que pediu uma intervenção estatal.
À parte do debate interno, Merkel defendeu o Executivo conservador de Rajoy na cidade alemã de Stralsund, afirmando que a situação dos bancos espanhóis “não foi causada pelo actual Governo, nem pela austeridade orçamental, mas desenvolveu-se com a bolha imobiliária”. E elogiou as reformas do actual Governo de Madrid.
Em Espanha, numa conferência em Sitges, o ministro espanhol das Finanças viria mais tarde a enquadrar as dificuldades a que as duas economias estão sujeitas no actual quadro de crise europeia, em declarações citadas pelo El País. E referiu-se ainda a uma notícia do jornal Wall Street Journal, dando conta de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estaria a preparar um plano de prevenção caso Espanha precisasse de suporte para resgatar o Bankia, considerando-a “sem sentido”.
A mesma posição foi transmitida em Washington, na sede da instituição na habitual conferência de imprensa quinzenal do porta-voz do FMI. “Espanha não pediu apoio financeiro ao FMI, nem o FMI está a elaborar um plano de assistência”.
Pela Comissão Europeia, Amadeu Altafaj, porta-voz do comissário do euro, Olli Rehn, pediu que o Governo espanhol comunique o seu plano de resgate do Bankia, para que não se acentuem as “incertezas”.
O pedido de clarificação acontece na mesma altura em que a vice-presidente do Governo, Saénz de Santamaría, está de visita aos Estados Unidos para uma série de reuniões de trabalho ao mais alto nível, o que, aliás, a impedirá de estar presente na reunião de conselho de ministros de sexta-feira.
A número dois do Governo espanhol estará nos Estados Unidos até domingo e, para esta quinta-feira, tinha na agenda encontrar-se com a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, e com o secretário norte-americano do Departamento do Tesouro, Timothy Geithner.
O nível dos juros pedidos nos últimos dias pelos investidores sobre as obrigações espanholas transaccionadas no mercado secundário (de revenda de dívida) agravou as preocupações sobre Espanha.
As taxas de juro da dívida baixaram esta quinta-feira, de 6,6% ontem para 6,5%, mas mantêm-se na chamada “zona de perigo”, próximas da barreira dos 7%, que no caso irlandês e português colocaram as economias na rota de um pedido de assistência internacional.
Para José Ignacio Torreblanca, que dirige o gabinete espanhol do European Council on Foreign Relations, Espanha vive “uma das horas mais difíceis da sua história recente”. Isso mesmo enfatiza num artigo publicado no site do El País, no qual recua até à transição democrática e à entrada de Espanha na CEE (com Portugal, em 1986), e lembra que mesmo nos períodos mais difíceis o país tinha um “horizonte de saída”, o que agora não vê no actual contexto de crise. O sector financeiro e as finanças públicas são, em particular, para este especialista em assuntos europeus, o foco principal da “desconfiança”.
No dia em que o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, pediu aos líderes para clarificarem a sua visão do que será a zona euro dentro de alguns anos, o responsável pelas Finanças de Espanha veio dizer que o futuro da moeda única se joga “nas próximas semanas em Itália e Espanha”.
A chanceler alemã, Angela Merkel, que, segundo refere o El País, conversou ao telefone com o Presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, referiu-se à situação da banca espanhola, precisamente no dia em que o Parlamento de Madrid aprovou a reforma do sistema financeiro e teve populares e oposição a discutirem as responsabilidades da crise no Bankia, o quarto maior banco nacional, que pediu uma intervenção estatal.
À parte do debate interno, Merkel defendeu o Executivo conservador de Rajoy na cidade alemã de Stralsund, afirmando que a situação dos bancos espanhóis “não foi causada pelo actual Governo, nem pela austeridade orçamental, mas desenvolveu-se com a bolha imobiliária”. E elogiou as reformas do actual Governo de Madrid.
Em Espanha, numa conferência em Sitges, o ministro espanhol das Finanças viria mais tarde a enquadrar as dificuldades a que as duas economias estão sujeitas no actual quadro de crise europeia, em declarações citadas pelo El País. E referiu-se ainda a uma notícia do jornal Wall Street Journal, dando conta de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estaria a preparar um plano de prevenção caso Espanha precisasse de suporte para resgatar o Bankia, considerando-a “sem sentido”.
A mesma posição foi transmitida em Washington, na sede da instituição na habitual conferência de imprensa quinzenal do porta-voz do FMI. “Espanha não pediu apoio financeiro ao FMI, nem o FMI está a elaborar um plano de assistência”.
Pela Comissão Europeia, Amadeu Altafaj, porta-voz do comissário do euro, Olli Rehn, pediu que o Governo espanhol comunique o seu plano de resgate do Bankia, para que não se acentuem as “incertezas”.
O pedido de clarificação acontece na mesma altura em que a vice-presidente do Governo, Saénz de Santamaría, está de visita aos Estados Unidos para uma série de reuniões de trabalho ao mais alto nível, o que, aliás, a impedirá de estar presente na reunião de conselho de ministros de sexta-feira.
A número dois do Governo espanhol estará nos Estados Unidos até domingo e, para esta quinta-feira, tinha na agenda encontrar-se com a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, e com o secretário norte-americano do Departamento do Tesouro, Timothy Geithner.
O nível dos juros pedidos nos últimos dias pelos investidores sobre as obrigações espanholas transaccionadas no mercado secundário (de revenda de dívida) agravou as preocupações sobre Espanha.
As taxas de juro da dívida baixaram esta quinta-feira, de 6,6% ontem para 6,5%, mas mantêm-se na chamada “zona de perigo”, próximas da barreira dos 7%, que no caso irlandês e português colocaram as economias na rota de um pedido de assistência internacional.
Para José Ignacio Torreblanca, que dirige o gabinete espanhol do European Council on Foreign Relations, Espanha vive “uma das horas mais difíceis da sua história recente”. Isso mesmo enfatiza num artigo publicado no site do El País, no qual recua até à transição democrática e à entrada de Espanha na CEE (com Portugal, em 1986), e lembra que mesmo nos períodos mais difíceis o país tinha um “horizonte de saída”, o que agora não vê no actual contexto de crise. O sector financeiro e as finanças públicas são, em particular, para este especialista em assuntos europeus, o foco principal da “desconfiança”.