Mariano Rajoy
O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, compareceu esta manhã perante os jornalistas no Palácio de La Moncloa para explicar o resgate financeiro de cem mil milhões de euros acordado ontem entre o Eurogrupo e Espanha.
"Ontem ganhou o futuro do euro e a credibilidade da Europa e a possibilidade de que volte a fluir o crédito. Temos que manter a visão do conjunto. O resgate de ontem faz parte de um plano global de saneamento da economia espanhola e da sua preparação para recuperar o crescimento e a criação de emprego ", disse Rajoy durante a conferência de imprensa. O chefe do Governo espanhol, do Partido Popular, garantiu que o resgate da banca era algo que era preciso fazer e é muito bom para Espanha.
Rajoy falava um dia depois de o ministro das Finanças do seu Executivo, Luis de Guindos, ter anunciado o resgate do setor bancário espanhol noutra conferência de imprensa. Nela, alguns jornalistas perguntaram porque não tinha sido Rajoy a comunicar ao país o resgate de cem mil milhões de euros.
Na sua intervenção, Rajoy, que venceu as legislativas antecipadas de 20 de novembro depois de José Lus Rodríguez Zapatero ter decidido antecipar o escrutínio devido à crise, tentou explicar porque é que Espanha, ao contrário da Irlanda, de Portugal e Grécia, só vai ter um resgate para os bancos e não para o Estado.
"Se não tivéssemos feito nestes cinco meses o que fizemos, o que se teria colocado ontem era a intervenção no reino de Espanha", disse Mariano Rajoy , referindo-se ao acordo alcançado no sábado com o Eurogrupo.
"Como levamos cinco meses a fazer os nossos deveres, o que se acordou ontem foi uma abertura de uma linha de crédito para o nosso sistema financeiro. Uma linha de crédito europeia, para recuperar a solvência das entidades financeiras e para conseguir crédito", disse o governante.
Rajoy, que enfrenta um grande problema da dívida das comunidades autonómicas espanholas, não propriamente o da dívida do Estado central espanhol, negou que o seu Governo tenha decidido sob pressão da UE.
"Ninguém me pressionou. Não sei se deveria dizer isto, mas quem pressionou até fui eu. Queria uma linha de crédito para resolver o problema que existia", afirmou.
"Também gostava de saber porque não se fez antes. Alguns fizeram isto há três anos. Mas como todos sabemos as coisas são como são. Temos que tomar as decisões agora. Muito preferia que tivessem sido tomadas antes", acrescentou Rajoy, que atualmente governa um país onde existem cerca de 5,5 milhões de desempregados.
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