5.6.12

Partidos criticam declarações de “êxito” de Vítor Gaspar

Reacções dos partidos
  
PS, PCP e BE concordaram esta segunda-feira que o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, não tem razões de regozijo face à execução orçamental dos últimos meses e aos indicadores do desemprego e da pobreza. O ministro considerou que o país cumpriu todos os objectivos estruturais.

Vítor Gaspar aproveitou então para anunciar que a troika se prepara para avançar com a quinta tranche, no valor de 4,1 mil milhões de euros, do empréstimo acordado entre Portugal e as instâncias internacionais (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia).

Em reacção às conclusões da quarta avaliação do programa da troika, feitas esta manhã pelo ministro, o PS admitiu ter “grande dificuldade” em classificar como um “êxito” a aplicação do programa de resgate financeiro pelo Governo. Na sede socialista, o membro do secretariado nacional, Eurico Dias, considerou ser “chocante ouvir o Governo sublinhar este sucesso quando o desemprego é o maior de sempre”.

O dirigente socialista elencou os sinais que para aquele partido faziam com que não se pudesse falar em “êxito”. As famílias que devido às dificuldades cortavam no consumo, a forma “acentuada” como o investimento tem decrescido no país. “Em bom rigor, este caminho de sacrifícios não está a ter a recompensa devida”, disse.

O PCP também assinalou a "contradição brutal" entre avaliação feita pelo ministro das Finanças e a realidade do país. O deputado Agostinho Lopes criticava assim a oposição entre “os êxitos do Governo” e a “realidade económica, social e financeira do país”.

Em declarações na sede do partido, o comunista frisou que os últimos quatros meses de execução orçamental não dão sinais positivos nem qualquer suporte” à análise feita por Vítor Gaspar. E deixou uma questão: “O que é que tem a ver os êxitos do Governo com os números do desemprego que são conhecidos, com o número de falências que estão a ocorrer todos os dias, com a falta de dinheiro para bens essenciais como alimentos ou medicamentos, com crianças com fome?”

Pelo BE, o deputado Pedro Filipe Soares afirmou no Parlamento que “o Governo fica contente porque diz ter passado, nas palavras de Vítor Gaspar, no exame da troika. Na prática, a única matéria em que o Governo prova ser um bom aluno é em despejar dinheiro público nos cofres dos bancos privados”.

O deputado bloquista aproveitou também para condenar novamente as declarações de António Borges que, na semana passada, defendeu a "urgência" de redução de salários. Pedro Filipe Soares argumentou que o Governo pretende seguir o conselho de Borges.

O CDS preferiu sublinhar o esforço de Portugal e distinguir, mais uma vez, a situação grega da portuguesa. Apesar disso, o deputado centrista Mesquita Nunes reconheceu que há um problema de desemprego, criticando a postura "demagógica" do PS.

“Num momento em que muitas vezes nos questionamos sobre se estamos a ir no caminho certo, um balanço positivo do caminho certo é uma notícia positiva e a demonstração de que os caminhos que muitas vezes são apresentados como alternativas não servem”, argumentou Mesquita Nunes.