Espanha
O eurogrupo impôs condições fiscais a Espanha para aceitar o pacote da ajuda de 100 mil milhões de euros para a banca do país e Madrid tentou a todo o custo evitar o apoio, segundo a edição de segunda-feira do jornal El País.
Na manchete do jornal, já divulgada na edição online do diário, o El País desmente as declarações do presidente do Governo, Mariano Rajoy, que afirmou não ter sido pressionado para aceitar o programa.
E garante ainda, citando fontes comunitárias, que o pacote de apoio vem com condições para Espanha que, se não forem cumpridas, levarão à suspensão da ajuda.
"Bruxelas põe preço ao resgate", titula o jornal que dá cor à notícia com uma foto de Mariano Rajoy a ver, em Gdansk, o jogo de estreia de Espanha, contra Itália, no Euro 2012 de futebol.
"As recomendações são exigências. Ou Madrid cumpre ou o dinheiro pode não chegar", refere o jornal citando fontes europeias.
O jornal analisa as declarações de Mariano Rajoy na conferência de imprensa convocada para o Palácio da Moncloa, onde argumentou que o trabalho do Executivo nos últimos cinco meses evitou "a intervenção no reino de Espanha" tendo, em vez disso, conseguido uma linha de crédito para o sistema financeiro.
"Se não tivéssemos feito nestes cinco meses o que fizemos, o que se teria colocado ontem era a intervenção no reino de Espanha", disse Mariano Rajoy, referindo-se ao acordo alcançado no sábado com o eurogrupo.
"Como levamos cinco meses a fazer os nossos deveres, o que se acordou ontem foi uma abertura de uma linha de crédito para o nosso sistema financeiro. Uma linha de crédito europeia, para recuperar a solvência das entidades financeiras e para conseguir crédito", disse o responsável.
Para o El País Mariano Rajoy "tentou apresentar com um triunfo próprio e da Europa o pior momento do seu mandato".
Na sua declaração Mariano Rajoy garantiu que o programa acordado "não afeta em absoluto o défice público e por isso os planos do Governo não se alteram" e escusou-se a entrar no debate sobre se o programa é ou não um resgate.
"Não vou entrar em debates nominalistas. A Europa vai colocar à disposição das entidades financeiras uma linha de crédito que as entidades terão que devolver. Isto não tem nada que ver com outras situações de outros países", disse no domingo.
"Não tem condicionalidades macroeconómicas mas apenas quem recebe o crédito, as entidades financeiras", afirmou ainda.
Mas as fontes citadas pelo El País consideram que "as ajudas estão estreitamente vinculadas ao cumprimento do pacto fiscal, diga o que diga o Governo".
"As recomendações passam a ser exigências", explicam as mesmas fontes.
Recorde-se que o próprio comunicado do eurogrupo distribuído no sábado refere-se a esta questão.
Além de reformas no setor bancário, os ministros das finanças da zona euro impõem condições para que a verba seja atribuída, nomeadamente o cumprimento das medidas já assumidas de combate ao défice excessivo e de correção de desequilíbrios orçamentais, no quadro do Semestre Europeu".
"O progresso nessas áreas será revisto atenta e regularmente, paralelamente à ajuda financeira", lê-se no comunicado.
Na edição de segunda-feira o El País desmente ainda declarações do presidente do Governo que assegurou aos jornalistas que Espanha tenha sido pressionada para tomar esta decisão, insistindo que a decisão agora tomada "deveria ter sido tomada antes".
"Ninguém me pressionou. Não sei se deveria dizer isto, mas quem pressionou até fui eu. Queria uma linha de crédito para resolver o problema que existia", afirmou.
As fontes citadas pelo El País consideram que o seu discurso foi apenas uma "manobra para evitar o estigma do resgate" e que Espanha "tentou até ao último momento evitar o resgate (pedindo que o dinheiro se injetasse diretamente na banca)".
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2601997&page=1