12.6.12

Gaspar e Moedas vão debater avaliação da troika

Ajuda externa


O ministro de Estado e das Finanças, Vitor Gaspar, e o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, vão hoje ao Parlamento debater a quarta avaliação da 'troika' ao programa de ajuda externa a Portugal.

A 'troika' concluiu a quarta revisão da assistência financeira a Portugal no dia 04, considerando que o programa está "no bom caminho", mas pediu mais medidas para flexibilizar o mercado de trabalho, dando 'luz verde', ainda assim, para a libertação de 4,1 mil milhões de euros.
O comunicado da 'troika' sobre esta quarta avaliação foi divulgado depois de uma conferência de imprensa na qual o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou uma nova revisão do cenário macroeconómico do Governo, com uma retoma económica mais frágil em 2013, devido à debilidade da economia internacional.
A 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) manifesta preocupação com o "desemprego excecionalmente elevado", e pede "medidas adicionais para melhorar o funcionamento do mercado laboral", o que "inclui reformas institucionais que deem maior flexibilidade às empresas para ajustar os custos laborais à produtividade", segundo o comunicado.
Nesse sentido, Vítor Gaspar anunciou que o Governo vai estudar uma redução limitada da taxa social única (TSU): "Iremos avaliar a possibilidade de, no contexto do Orçamento de 2013, efetuar uma redução específica da contribuição para a Segurança Social dos empregadores, como forma de estimular a criação de emprego."
Esta medida deverá ser "discutida com o maior partido da oposição" (o PS) e com a 'troika', acrescentou Gaspar.
O ministro anunciou ainda novos números para o PIB em 2013: há um mês, o Executivo previa um crescimento de 0,6 por cento no próximo ano, mas as contas foram revistas nesta avaliação, e espera-se agora um aumento ainda mais residual da economia, na ordem dos 0,2 por cento.
"A nossa dinâmica própria parece sugerir uma quebra menor e uma capacidade mais forte de recuperar, mas esse efeito é compensado, e um pouco mais que compensado, pela deterioração das perspetivas económicas no resto do mundo", disse Gaspar. As previsões revistas do Governo também incluem um valor mais elevado para a dívida pública -- que deverá atingir os 118 por cento do PIB em 2013.
Gaspar disse ainda que, até final deste mês, estará concluído um estudo independente sobre as parcerias público-privadas em vigor e rejeitou a ideia de que a 'troika' tenha voltado a expressar o seu desagrado pela falta de empenho do Governo na redução das 'rendas' excessivas do setor da eletricidade.
Essa ideia foi reiterada pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho: "Houve uma avaliação que conduziu à necessidade de monitorizar bem as medidas que foram adotadas pelo Governo português, mas, ao contrário do que tenho lido, ainda hoje em alguma imprensa, não houve menção de que tivessem de existir novas medidas ou o reforço de medidas na área da energia".
Passos Coelho acrescentou que a quarta avaliação da 'troika' teve "bastante sucesso". O primeiro-ministro disse ainda que nas discussões com a 'troika' "ficou de encontrar um mecanismo" para responder "a alguns segmentos de desemprego".

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2604149&page=1