Uma nova tranche do empréstimo da zona euro e do Fundo Monetário Internacional a Portugal deverá ficar garantida nesta segunda-feira, dia marcado para a divulgação dos resultados de mais uma avaliação trimestral da troika.
No entanto, o Governo não deverá conseguir escapar a uma nova série de avisos e recomendações por parte dos técnicos da Comissão Europeia, FMI e BCE que estiveram em Lisboa durante as duas últimas semanas.
Tendo em conta os pontos destacados na avaliação de Fevereiro passado e aquilo que aconteceu em Portugal durantes os últimos três meses, a troika deverá, no comunicado que apresentará - é improvável que haja novamente uma conferência de imprensa -, apelar novamente a um grande esforço de contenção na execução orçamental, alertar para a continuação da escalada do endividamento nas empresas públicas, pedir mais reformas nos mercados da energia e das telecomunicações e defender que as autoridades portuguesas devem ir ainda mais longe nos cortes de regalias no subsídio de desemprego.
Em relação a Fevereiro, a troika teve agora mais informação disponível relativamente à execução orçamental. O que viu não a terá satisfeito completamente, uma vez que, em vários indicadores, o Governo ainda está abaixo daquilo que tem previsto para a totalidade do ano. O Governo garante, contudo, que o efeito das principais medidas de consolidação apenas será sentido mais tarde.
Em relação às contas das empresas públicas, uma das preocupações permanentes da troika, os indicadores recentemente conhecidos relativamente ao primeiro trimestre do ano mostram que, apesar de se verificar uma melhoria nos resultados operacionais, os níveis de endividamento continuam a subir. Novos apelos à contenção deverão por isso ser feitos.
Existe também uma grande expectativa em relação ao que a troika irá dizer relativamente ao sector energético e às PPP, onde o Governo tem prometido diversas mudanças, não as tendo, porém, concretizado.
O sector bancário, que se prepara para recorrer aos fundos disponibilizados pela troika como forma de se capitalizar, deverá merecer um destaque significativo nesta avaliação.
Do lado do Governo, o que já se ficou a saber é que houve promessa de novas reformas. "Tive a ocasião de confrontar, pela quarta vez, o conjunto de reformas que vêm sendo executadas, em interacção com a troika. Da mesma forma que a insistência do lado da troika aponta para não abrandar o ritmo de execução das nossas reformas estruturais, o Governo assume que não só é prioritário acelerá-las, como, sobretudo, mobilizar cada vez mais os portugueses para o desígnio dessas transformações", afirmou Passos Coelho na sexta-feira.
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