Menos procura de portugueses e espanhóis
A oferta turística portuguesa cresceu acima da procura, situação que é um “grande desafio”, especialmente num momento de grande contracção na procura de portugueses e espanhóis, afirmou hoje o presidente do Turismo de Portugal.
“Portugal e Espanha juntos valem 45% da procura para Portugal e prevê-se que os dois decresçam este ano mais de 10%”, disse Frederico Costa no 2º Fórum Ibérico em Barcelona.
“Temos o grande desafio que é encontrar alternativas a este mercado ibérico, nomeadamente nos mercados intercontinentais. Não vamos conseguir compensar essas perdas, mas é aí que temos que trabalhar para, no futuro, não depender tanto do mercado ibérico”, disse.
A sustentabilidade do sector turístico, especialmente num quadro de forte contracção económica em Portugal e Espanha, tem sido um dos temas dominantes no 2º Fórum Ibérico, que reúne hoje responsáveis de Portugal e Espanha e especialistas do sector de turismo dos dois países na Casa Llotja de Mar, sede da Câmara de Comércio de Barcelona.
Produto “muito competitivo”
Frederico Costa recordou que, nos últimos anos, Portugal construiu uma oferta e um produto “muito competitivo”, mas que é essencial analisar a sustentabilidade do sector, que tem hoje uma “oferta que cresceu a ritmo superior ao da procura, o que cria um grande desafio”.
Depois do crescimento dos últimos anos em todos os indicadores, os dados do primeiro trimestre deste ano demonstram uma queda de 7,2% nas dormidas de portugueses em férias no território nacional e de 15,9% nas dormidas dos espanhóis.
Esta contracção, explicou, deverá manter-se, no caso dos portugueses, pelo menos até 2013, e não está a ser compensada pelo aumento de outros mercados emissores como a Alemanha (mais 5,6%), os Países Baixos (mais 4%) e a França (mais 3,5%) ou até o Brasil, que é hoje o quarto mercado emissor.
Assim, considerou, o sector enfrenta hoje “um desafio monumental” que, a par do desenvolvimento de produto e de formação dos quadros, é a “emergência nacional” de estimular as actividades turísticas.
Apoio às vendas e às empresas
Para o Turismo de Portugal, disse, as prioridades serão, por isso, o apoio às vendas e o apoio às empresas, para que tenham mais acesso ao crédito, mais redução dos custos e mais êxito nas vendas nos mercados internacionais.
“As empresas, apesar de terem resultados operacionais positivos, encontram-se em situação económica e financeira muito debilitada. E o papel do Estado deve ser de facilitar acesso ao crédito, apoiando as necessidades das empresas em termos de financiamento e redução dos custos de contexto”, disse.
“Deve ser um parceiro no acesso aos mercados, nas operações de venda e no estímulo a inovação e conhecimento”, sublinhou. A acção do Turismo de Portugal centrar-se-á, disse, em acções de apoio à venda “centradas no consumidor”, desenvolvidas “não unilateralmente para o posicionamento ou criação de marca, mas em conjunto com os empresários para vender mais”.
E, ao mesmo tempo, na “retenção e reforço das rotas actuais e na captação de novas rotas” aéreas “para reduzir sazonalidade, aumentar frequências semanais e lanças novas operações aéreas”.